"Imagino uma escola, lugar de sonhos e fantasias, onde o corpo, faminto de SABER encontre o SABOR da descoberta, o prazer de aprender..."

( Rubem Alves)

Uma nova perspectiva da ortografia e da consciência fonológica na alfabetização

A consciência fonológica ou metafonologia é a habilidade de refletir explicitamente sobre a estrutura sonora, ou seja, é a capacidade de compreender a maneira pela qual a linguagem oral pode ser dividida em componentes cada vez menores: sentenças de palavras, palavras em sílabas e sílabas em fonemas.

A reflexão e oportunidade de discutir semelhanças e diferenças entre palavras são, provavelmente, uma alternativa para o desenvolvimento da escrita ortográfica e também para promover uma integração maior entre os diversos aspectos da oralidade e da escrita, muito melhor que a prática de cópia e memorização de lista de palavras.
O professor precisa saber direcionar, para sua prática pedagógica, as falhas na escrita produzidas pelas crianças e compreender que essas fazem parte da sua construção do conhecimento.
A partir das hipóteses de escrita dos alunos, levá-los a refletir sobre as possíveis alternativas de grafia e reconstruir algumas regras de ortografia das palavras, para que o aluno possa fazer uso delas em suas produções de textos.
Também lembrar da importância de consultar fontes de registro ortográfico da língua portuguesa, como os dicionários.



Ótima sugestão para trabalhar atividades de ortografia:

http://websmed.portoalegre.rs.gov.br/smed/inclusaodigital/atividades_educativas/denise/m_ou_n/index.htm




O Eco
O menino pergunta ao eco
onde é que ele se esconde.
Mas o eco só responde: "Onde? Onde?"

O menino também lhe pede:
"Eco, vem passear comigo!"
Mas não sabe se o eco é amigo
ou inimigo.

Pois só lhe ouve dizer:
"Migo!"

(Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo)

O poema de Cecília, O Eco, é um ótimo texto a partir do qual brincar com palavras, suprimindo partes delas - fonemas, sílabas ou partes maiores que a sílaba - numa atividade de reflexão fonológica muito interessante. Gato pode virar ato e abelha, belha (supressão do /g/ e do /a/), macaco pode virar caco ou aco (supressão do /ma/ ou do /mak/), abacate pode virar cate ou ate (supressão do /aba/ ou do /abak/).
A compreensão do texto supõe o conhecimento do que seja o eco e como ele funciona. Disso depende o jogo de sentidos do poema.
Pois bem, feita a exploração do texto, que tal brincar de eco? Experimentar "ecoar" palavras diversas é bem divertido e constitui uma rica oportunidade de reflexão fonológica. Pense aí como ficariam, por exemplo, as palavras abacate, pente, besouro, gato, flor, sapo, abelha, dinossauro, atalho, estante, prato...e tantas outras... Percebe quantas situações interessantes podem aparecer, apenas com a reflexão sobre a oralidade, sem a presença do escrito? Ou seja, sem a visualização das palavras escritas, apenas operando sobre o significante sonoro, podemos segmentar as palavras de vários modos.
E depois, com a presença do escrito - das palavras escritas -, quantas situações mais podem aparecer? Pense, se o eco de prato é /atu/, podemos brincar de achar palavras dentro de palavras: prato/ato. E se o eco de prato for /ratu/, com r tremido, o que acontece quando escrevemos essa palavra? Fica RATO, sem o r tremido (ao menos não na nossa variedade linguística regional). Vê quantos desafios?
E ainda podemos indicar o eco e as crianças descobrirem palavras que podem ter sido ditas. Ex. Se sou o eco e digo: /enti/, que palavras podem ter sido ditas? Pente? Dente? Vamos adivinhar?
Essas atividades chamam a atenção para outras segmentações sonoras, outras unidades sonoras, que não a silábica, tão mais enfatizada na alfabetização, por ser a unidade mínima da emissão sonora e facilitadora de segmentações, ao menos na nossa língua. Mas há unidades maiores que a sílaba, como -ola em bola, cola, rola, mola... Há unidades menores que a sílaba, como -tr, em trem, trator, triângulo, trufa. Há unidades fonêmicas e silábicas... A diversidade na exploração dessas unidades favorece enormemente a reflexão fonológica, a flexibilidade do pensamento e a apropriação do princípio alfabético, fundamental para aprender a ler e escrever. Todas essas unidades fonológicas podem ser exploradas simultaneamente em brincadeiras diversas - como a do eco, que inclui, nesse caso, também a unidade texto, fonte da brincadeira.
Brincar de eco é muito bacana! Experimentem!

2 comentários:

OI Verinha,

que fofo o seu blog ! Agradeço de coração sua visita ao Gotinhas e interesse em acompanhar o blog. Bj com gotinhas de poesias.

Oi Vera,
Agradeço sua visita e por você publicar minha sugestão em seu blog. Visite sempre!
Lica
oficinasdealfabetizacao@blogspot.com

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